O que é um Geoparque
Um Geoparque é uma área com grande valor geológico, reconhecida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), que reúne paisagens naturais, sítios históricos e culturais de importância mundial. Além de proteger o patrimônio geológico, o Geoparque promove o desenvolvimento sustentável de uma região por meio do turismo, da educação e da valorização do meio ambiente.
As potencialidades de um Geoparque são diversas. Ele atrai visitantes, gera emprego, estimula a economia local e fortalece a identidade cultural. Com isso, contribui para o crescimento socioeconômico, preservando a natureza e as tradições.
Os benefícios de se ter um Geoparque incluem maior visibilidade internacional, incentivo à pesquisa científica e à educação ambiental, além de criar oportunidades para o turismo sustentável. O impacto é duradouro, favorecendo a integração da comunidade e a preservação dos recursos naturais para as futuras gerações.
Vale do Rio Pardo lança o projeto do Geoparque regional
A Associação de Turismo da Região do Vale do Rio Pardo (Aturvarp) lançou, o projeto do Geoparque Triássico do Vale do Rio Pardo, cuja iniciativa favorece a pesquisa científica internacional na área de paleontologia também criará uma referência econômica na área do geoturismo da região. Agora, para que de fato seja instalado o geoparque, região precisa cumprir as etapas estabelecidas pelo Ministério do Turismo para a conclusão do projeto.
Conforme o presidente da Aturvarp, Djalmar Ernani Marquardt, além de abrir um leque infinito de projetos na área da pesquisa científica, o geoparque irá criar novos mecanismos de desenvolvimento econômico e social para a região. Localizada nos municípios de Venâncio Aires, Santa Cruz do Sul, Vera Cruz, Vale do Sol, Passo do Sobrado, Vale Verde, Rio Pardo e Candelária, a formação geológica que dá sustentação ao Geoparque, permitirá o aproveitamento do seu potencial nas áreas científica, educacional e turística. “Será uma grande oportunidade de desenvolvimento por meio da paleontologia e a criação de rotas para o geoturismo regional”, pontua.
Marquardt explica que com o lançamento do Geoparque Triássico Vale do Rio Pardo, a partir de agora os municípios que estão em sua faixa geológica precisam aderir ao projeto, para a elaboração e cumprimento das fases de instalação do empreendimento. “O processo é formado por quatro principais etapas: a conscientização, realizada neste momento, elaboração do projeto técnico, submissão do estudo para o reconhecimento e o credenciamento junto a Unesco, órgão vinculado à Organização das Nações Unidas (ONU), para certificação do geoparque.”
Para o geólogo Enoir Greiner, conhecedor do potencial paleontológico da área, a região sai na frente ao contar com a iniciativa da Aturvarp em capitanear a proposta. “Esta é uma das formas de viabilizar a instalação. Como já existe uma entidade capaz de gerir e coordenar estas ações, um grande passo foi dado na efetivação do empreendimento”, define.
O prefeito de Candelária Nestor Ellwanger destacou a relevância do tema para o município, uma vez que há quase 90 anos são realizadas pesquisas paleontológicas em Candelária. O município é referência internacional no tema, e orgulha-se de ter sediado o lançamento do projeto. “Tudo que envolve turismo e paleontologia tem a nossa atenção e interesse. Estamos muito felizes por conta do lançamento deste geoparque em meio às comemorações de 98 anos de Candelária, completadas no último 7 de julho”, pontua o chefe do Executivo. O lançamento do Geoparque ocorreu em 8 de julho de 2023, durante a Festa da Colônia, em Candelária.
Segundo o professor doutor Felipe Lima Pinheiro, pesquisador da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), parceira na elaboração inicial do projeto, reforçou a relevância do ato para a região. “Trata-se de um projeto que é difícil de ser compreendido, especialmente por quem não é da paleontologia. No entanto, o Geoparque Triássico Vale do Rio Pardo será muito importante para a pesquisa e para o turismo regional”, avalia.
Geoparque Triássico Vale do Rio Pardo integra plano de projeção internacional
Campanha do Governo do Estado visa consolidar o Rio Grande do Sul como referência no segmento; campanha prevê divulgação e deve viabilizar formas de financiamento
Santa Cruz do Sul – O Geoparque Triássico Vale do Rio Pardo está oficialmente inserido na nova estratégia de promoção turística do Governo do Estado, que tem como objetivo posicionar os atrativos gaúchos como destinos de referência mundial. A iniciativa, liderada pela Secretaria Estadual de Turismo, envolve os cinco projetos do Rio Grande do Sul, entre os quais está a ação capitaneada pela Associação de Turismo do Vale do Rio Pardo (Aturvarp), desde 2023. Com o slogan “Rio Grande do Sul, território de Geoparques”, a estratégia visa divulgar o potencial e criar caminhos para o financiamento dos geoparques.
Segundo o presidente da Aturvarp, Djalmar Ernani Marquardt, a integração à campanha estadual amplia as possibilidades de consolidação do projeto local. “A partir do alinhamento de estratégias e da participação em ações coletivas, poderemos qualificar nossa estrutura, ampliar a visibilidade internacional e fortalecer a candidatura do Vale do Rio Pardo como Geoparque reconhecido pela Unesco”, afirma.
Criado em 2023, o Geoparque Triássico Vale do Rio Pardo abrange nove municípios e tem como diferencial o registro de fósseis de dinossauros e outros animais do período triássico, revelando um valioso patrimônio geológico. Desde o lançamento, foram mapeados os geossítios da região, estruturado um grupo gestor e iniciado o processo de formatação de um consórcio intermunicipal, modelo necessário para futura certificação. Até a criação formal do consórcio, a gestão do projeto permanece sob responsabilidade da Aturvarp.
Com a adesão à proposta estadual, a expectativa da Aturvarp é avançar nas etapas de desenvolvimento do projeto, articulando investimentos, parcerias e capacitações. “Temos um ativo turístico e científico de valor inestimável, e agora contamos com uma política pública articulada que reconhece os Geoparques como motores de desenvolvimento para o turismo e a economia gaúcha”, pontua Marquardt.
Campanha de promoção internacional
Durante o encontro em Porto Alegre, o Governo do Estado anunciou ações práticas para impulsionar os Geoparques gaúchos. Foi lançada a campanha “Venha Viver o Inverno Gaúcho nos Geoparques” e definida a necessidade de vídeos promocionais em inglês e espanhol, pacotes turísticos com duração entre 7 e 15 dias e fotos em alta resolução.
A estratégia está inserida no Plano Brasis, de promoção internacional do turismo brasileiro, com destaque para a orientação da Embratur, que identificou uma demanda crescente por destinos relacionados a Geoparques no exterior. Em paralelo, o Programa Avançar nos Geoparques, desenvolvido em parceria com o Sebrae, prevê recursos para infraestrutura e capacitações para empreendedores da cadeia turística.
Um livro com informações detalhadas de cada um dos cinco Geoparques, incluindo os projetos prioritários de cada território, será entregue ao governador Eduardo Leite. O objetivo é assegurar o reconhecimento e o apoio institucional à consolidação desses territórios como atrativos de classe mundial. “Estas medidas ocorrem em um momento excelente para o Vale do Rio Pardo, pois justamente estamos trabalhando para oficializar a instalação do Geoparque Regional, por meio da composição da estrutura administrativa e de financiamento do projeto”, complementa o presidente da Aturvarp.
Geoparque Triássico Vale do Rio Pardo
O Geoparque Triássico Vale do Rio Pardo é uma proposta que une ciência, preservação e desenvolvimento sustentável a partir da história geológica da região. Inserido na Bacia do Paraná — uma das maiores sequências vulcano-sedimentares da América do Sul — o território guarda registros importantes do período triássico, preservados nas formações Santa Maria, Caturrita e Sanga do Cabral. A presença de fósseis, paleotocas escavadas por grandes mamíferos pré-históricos e paisagens naturais de grande valor científico e turístico compõem um conjunto que destaca o potencial da região para ações de educação ambiental e visitação responsável.
Um dos achados mais emblemáticos foi reanalisado em Santa Cruz do Sul. Escavado décadas atrás e mantido na coleção da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o fóssil Itaguyra oculta ganhou nova interpretação por uma equipe de paleontólogos brasileiros e argentinos, sob liderança de Voltaire Neto, do Museu Nacional. O material pode representar o quinto dinossauro mais antigo do mundo, posicionando o município como referência internacional em paleontologia.
Candelária, por sua vez, conta com a tradição já reconhecida na área, abriga o Museu Aristides Carlos Rodrigues, detentor de um dos maiores acervos fossilíferos triássicos da América Latina. O município está situado entre antigos lineamentos tectônicos, com afloramentos preservados por camadas de basalto da Serra Geral. Essa geografia singular combina formação científica e atrativos naturais, consolidando o município como um dos pilares do projeto.
O território também reúne expressivo patrimônio cultural e histórico. Em Santa Cruz do Sul, a Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) e o Museu do Colégio Mauá desenvolvem pesquisas arqueológicas voltadas à preservação histórica. Venâncio Aires e Rio Pardo contribuem com acervos que narram a ocupação humana, as origens regionais e a diversidade cultural que integra as raízes do Vale do Rio Pardo.
A proposta conta com apoio de universidades, museus, escolas e centros de pesquisa, que conectam ciência, educação ambiental e identidade territorial. O projeto visa estruturar um espaço que reconhece seu valor geológico e cultural, promovendo visitas educativas, atividades de pesquisa e o fortalecimento de ações turísticas sustentáveis, em consonância com os critérios estabelecidos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
Estão inseridos no projeto os municípios de Santa Cruz do Sul, Candelária, Novo Cabrais, Venâncio Aires, Rio Pardo, Vera Cruz, Vale do Sol, Passo do Sobrado e Vale Verde. Cada um deles contribui com elementos únicos, que revelam a história da terra, o cuidado com o conhecimento e a beleza que pulsa em seus rios, matas, morros e comunidades
Vale do Rio Pardo mobiliza municípios para viabilizar Geoparque Triássico
Encontro com o Governo do
Estado reforça potencial científico e turístico da região e aponta a
necessidade de organização regional para consolidar o projeto
São João do Polêsine – O
projeto do Geoparque Triássico Vale do Rio Pardo ganhou novo impulso a partir
da reunião realizada na última semana com o vice-governador do Estado, Gabriel
Souza, no município de São João de Polêsine, território que integra o Geoparque
da Quarta Colônia, reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a
Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O encontro reuniu representantes do
Governo do Estado e gestores dos geoparques gaúchos estruturados, entre eles o
grupo responsável pela proposta do Vale do Rio Pardo, que conta com a
participação do presidente da Associação do Turismo da Região do Vale do Rio
Pardo (Aturvarp), Djalmar Ernani Marquardt. O vice-prefeito de Candelária, Cristiano
Becker e o responsável técnico pelo projeto, Enoir Greiner, acompanharam a
representação da associação.
A agenda integra os trabalhos do
Comitê Gestor dos Geoparques do Rio Grande do Sul e tem como foco a
apresentação de projetos estratégicos voltados à infraestrutura e ao
fortalecimento do geoturismo no Estado. No caso do Geoparque Triássico do Vale
do Rio Pardo, a proposta prevê a valorização de um dos territórios mais
expressivos do país em registros do período Triássico, reunindo patrimônio
geológico, paleontológico e cultural, além de paisagens naturais associadas a
uma rede ativa de museus, universidades e centros de pesquisa. O projeto
envolve municípios Santa Cruz do Sul, Candelária, Novo Cabrais, Venâncio Aires,
Rio Pardo, Vera Cruz, Vale do Sol, Passo do Sobrado e Vale Verde, que
concentram sítios fossilíferos, paleotocas e acervos científicos de relevância
nacional e internacional.
Para o presidente da Aturvarp, o
momento é estratégico para transformar o potencial técnico e científico da
região em uma política pública estruturada. “O Vale do Rio Pardo reúne
atributos únicos que conectam ciência, educação e turismo sustentável. O
diálogo com o governo do Estado mostra que há espaço para avançar, mas esse
avanço depende de organização regional, planejamento e governança”, afirma
Djalmar Ernani Marquardt. Ele destaca que a experiência da Quarta Colônia
demonstra que o reconhecimento internacional é resultado de construção coletiva
e continuidade administrativa.
Segundo Marquardt, a constituição
de um consórcio público entre os municípios que integram o território do
Geoparque Triássico do Vale do Rio Pardo é fundamental para dar escala e
sustentabilidade à proposta. “A lógica dos geoparques é cooperativa. Não se
trata de um projeto isolado, mas de um pacto regional, em que os municípios
compartilham responsabilidades, recursos e visão estratégica. Esse modelo
permite estruturar projetos, acessar políticas públicas e fortalecer o
sentimento de pertencimento da comunidade, condição essencial para consolidar o
geoparque ao longo do tempo”, complementa. A pauta deve avançar nas próximas
reuniões da Aturvarp e em encontros com prefeitos da região, com o objetivo de
construir consensos e formalizar os próximos passos do projeto.


